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quarta-feira, 12 de julho de 2023

Rede Polygon e suas atualizações. Matic e Polygon. Matic para POL.


A Polygon é uma das criptomoedas mais pedidas por vocês. Desde o início do ano, seu valor praticamente dobrou, com uma valorização de cerca de 81%. Muitas pessoas estão querendo entender por que a Polygon se valorizou tanto. Na Carteira Perfeita, não investimos em uma criptomoeda apenas porque está subindo ou deixamos de investir só porque está caindo. Sempre analisamos os fundamentos e se ainda faz sentido continuar acreditando na Polygon.

Vamos abordar tudo isso, desde o que está causando essa valorização até as consequências e expectativas para o futuro. Um dos principais fatores é o lançamento iminente da rede Ziqi Lupi, compatível com EVM, que também é chamada de Ziqi VM. Esse lançamento tem grande responsabilidade pela valorização expressiva da Polygon. Além disso, fatores macroeconômicos e conjunturais do mercado têm impulsionado o otimismo em relação à Polygon.

A Polygon está prestes a fazer um grande lançamento, considerado um dos maiores de sua história. Trata-se da atualização do protocolo, por meio da qual será lançada uma nova rede chamada Ziqi VM. Recentemente, a data desse lançamento foi anunciada no Twitter, marcada para o dia 27 de março. Esse anúncio tem deixado o mercado bastante animado com a Polygon.

Acompanhamos há algum tempo o desenvolvimento do Ziqi Lupi compatível com EVM. Não tomamos decisões de investimento baseadas apenas em especulações, tentando adivinhar se haverá atualizações ou não. Sempre nos antecipamos aos anúncios, buscando entender as probabilidades. A posição que temos na Polygon na Carteira Perfeita da Mercury Pro foi adquirida ao longo de mais de um ano, desde dezembro de 2021.

Com o passar do tempo, acompanhamos o desenvolvimento da tecnologia Ziqi VM e sua relevância no mercado. Já em fevereiro de 2022, destacamos que concorrentes da Polygon, como a Asics e a Star, também estavam se preparando para lançar produtos semelhantes. Fizemos publicações para os assinantes sobre essas tecnologias e por que elas animam tanto o mercado.

A Polygon era tão importante assim. No dia 1º de julho, enfatizamos novamente que a Polygon estava desenvolvendo os Ziqi Lupis compatíveis com EVM. Quando eles lançassem isso, poderia gerar um grande valor. Estamos nos posicionando com antecedência. Em 22 de julho de 2022, fizemos acompanhamento das soluções de Ziqi VM que estavam prestes a ser lançadas no mercado. Depois, em 14 de outubro de 2022, após participarmos da DevCon, o grande evento internacional de desenvolvedores de criptomoedas, reforçamos que a Polygon estava avançando em suas tecnologias.

Continuamos acompanhando de perto e aumentando as posições da Polygon em nossa carteira. Vale ressaltar que participamos desse evento internacional, onde tivemos a oportunidade de conversar com várias pessoas, incluindo o CEO da Apolo. Tiramos conclusões e compartilhamos nossas perspectivas em um vídeo publicado no Instagram em 10 de outubro de 2022.

No vídeo, destacamos que nos próximos meses estava previsto o lançamento da solução principal de redes QVM pela Polygon. Isso poderia ser muito positivo para destravar valor para a Polygon. É importante entender que esse acompanhamento não é algo de uma hora para outra. Já faz meses, até mais de um ano, que estamos entendendo como o Ziqi VM pode gerar valor no mercado de criptomoedas e por que ele é tão importante.

Para aqueles que desejam ter acesso à nossa carteira, onde colocamos todas as nossas posições em criptomoedas e fazemos acompanhamento de mercado semanalmente, basta se tornar assinante da Mercury Pro. O link estará disponível na descrição. Assim, vocês poderão ter acesso a esse material exclusivo que produzimos para nossos assinantes.

Quando falamos sobre o mercado cripto, mencionamos redes de computadores que desempenham funções específicas. A Apollo, em particular, é um protocolo que possui várias redes diferentes. O zkEVM é uma dessas novas redes que a Apollo planeja lançar, com previsão para 27 de março. É importante entender que o zkEVM é considerado por grande parte do mercado como o Santo Graal das soluções de escalabilidade, sendo o destaque entre as redes cripto existentes.

Existem várias tecnologias diferentes que podem ser usadas para criar essas redes, e o zkEVM visa combinar os aspectos positivos dessas redes sem os aspectos negativos de cada uma delas. O objetivo é melhorar a escalabilidade da rede, permitindo transações mais rápidas e baratas, mantendo a segurança. Ao longo desta apresentação, vou abordar o que é a Polygon especificamente, por que somos tão otimistas em relação a ela, quem são seus concorrentes e por que o zkEVM pode ser tão importante para desbloquear o valor da Polygon.

Para entender a Polygon, precisamos primeiro compreender o conceito de soluções de segunda camada. No mercado cripto, existem diferentes redes de computadores. Essas redes podem ser comparadas a bancos de dados distribuídos entre vários computadores, que precisam ser constantemente atualizados. Quando essas redes estão sendo desenvolvidas, surge a primeira camada. Essa camada é denominada assim porque, posteriormente, uma segunda camada é criada em cima dela.

A primeira camada é a rede inicial, que prioriza aspectos como descentralização e segurança. Ela faz escolhas tecnológicas para enfatizar esses aspectos, deixando outros em segundo plano. Exemplos de redes de primeira camada são Ethereum e Bitcoin. No entanto, as redes de primeira camada enfrentam problemas em relação à velocidade e aos custos. Com o tempo, essas redes se tornam mais lentas e mais caras devido ao foco em segurança e descentralização.

É nesse contexto que surgem as soluções de segunda camada. Na imagem, há exemplos de soluções de segunda camada para o Bitcoin, como a Lightning Network. Essas soluções buscam resolver problemas como velocidade e redução de custos para a rede do Bitcoin. Cada camada tem seu foco em atender às diferentes necessidades dos usuários ao interagir com os protocolos cripto.

Essa dinâmica também se aplica ao Ethereum. Embora seja uma rede de primeira camada, o Ethereum começou a enfrentar problemas de altos custos e lentidão, principalmente durante o mercado em alta de 2020 e 2021. As taxas de transação na rede Ethereum se tornaram muito altas nesse período, levantando a questão se seria possível encontrar soluções para isso.

No contexto do Ethereum, também surgiu a necessidade de uma segunda camada para a rede. Assim como aconteceu com o Bitcoin, as pessoas começaram a questionar se seria possível tornar o uso da rede Ethereum mais barato. O Ethereum começou a perder mercado para outras redes que eram mais rápidas e mais baratas. Isso se tornou evidente ao observar a quantidade de dinheiro bloqueado na Ethereum em comparação com redes concorrentes.

Como resposta a essa necessidade, surgiram várias redes de segunda camada para o Ethereum, como Polygon, Arbitrum e Optimism. Essas redes tentam tornar o Ethereum mais rápido e mais barato para os usuários interagirem. É interessante notar que existem diferentes tecnologias para essas soluções de segunda camada, e todas elas buscam simplificar o processo.

A solução de segunda camada se torna mais barata do que a rede de primeira camada porque reúne um grande número de usuários ou transações e as envia cobrando menos para a segunda camada. Em seguida, a segunda camada envia essas transações maiores e mais caras para a rede de primeira camada. Esse é o conceito por trás das soluções de segunda camada.

Existem diferentes tipos de tecnologias usadas nas soluções de segunda camada, como Side Chains e Optimism, que surgiram antes dos zkEVM. O zkEVM é uma tecnologia revolucionária que busca aproveitar o melhor de cada uma dessas tecnologias anteriores. Ele pretende ser uma solução de segunda camada avançada, reunindo as melhores características das soluções anteriores.

Side Chains são redes menores que funcionam como uma blockchain em miniatura, criando uma ponte entre a rede principal e a rede menor. Essa ponte é controlada por uma chave privada, que determina regras para tornar a rede menor mais rápida e mais barata. No entanto, essa abordagem tem a dependência da chave privada, o que pode ser uma limitação.

Uma carteira Multicine é uma carteira que não depende de apenas uma assinatura, mas sim de múltiplas assinaturas. Por exemplo, uma carteira Multicine pode ter três assinaturas, e para movimentar os fundos dessa carteira, você precisaria ter duas dessas chaves. Ou então, a carteira pode ter oito assinaturas, e para movimentar os fundos, você precisaria de até cinco chaves. Essa carteira tem uma conexão com a rede principal por meio dessas assinaturas Multicine.

As Side Chains, como tecnologia de escalabilidade, têm seus pontos positivos e negativos. Um dos principais pontos positivos é que sua implementação é tecnicamente mais fácil. Basicamente, você cria uma rede em miniatura e a conecta à sua carteira na rede principal. Ela também oferece alta flexibilidade e compatibilidade com a EVM (Ethereum Virtual Machine), permitindo a execução de operações complexas.

Por outro lado, o principal ponto negativo das Side Chains é a questão da segurança. Se você perder as chaves privadas dessas Side Chains, pode perder a maior parte dos fundos contidos na carteira Multicine. A preocupação com a segurança ficou evidente com o hack da Ronin, uma Side Chain da Ethereum, no qual mais de 600 milhões de dólares foram roubados de carteiras cujas chaves privadas foram comprometidas.

Esses eventos destacaram a necessidade de melhorar a tecnologia das Side Chains, pois a segurança das chaves privadas é uma preocupação significativa. Essas tecnologias podem se tornar obsoletas com o tempo devido ao dilema da segurança que enfrentam. É interessante mencionar que a rede principal da Polygon, chamada de Polygon PoS, funciona como uma Side Chain, sendo uma rede menor conectada à rede Ethereum.

A rede Polygon foi lançada há um bom tempo e se beneficiou do efeito de rede, com um grande número de usuários e transações. No entanto, a tecnologia da Polygon está se tornando ultrapassada e enfrenta desafios de segurança. A chave multissig da Polygon requer várias assinaturas para movimentar os fundos, proporcionando uma camada adicional de segurança. No entanto, existe o risco de roubo das chaves privadas.

Para lidar com a segurança, a Polygon utiliza checkpoints, que são como salvamentos periódicos da rede Ethereum. Esses checkpoints ajudam a prevenir perdas caso as chaves privadas da Polygon sejam comprometidas. No entanto, a rede da Polygon ainda precisa ser aprimorada em alguns aspectos.

É importante esclarecer que as chaves multissig estão nas mãos da própria Polygon, o que representa um risco de segurança tanto para a rede quanto para os usuários. Um exemplo desse risco foi o roubo de 600 milhões de dólares na carteira Ronin.

Apesar das preocupações de segurança, a Polygon é um ecossistema que oferece várias soluções, além da Side Chain. A Polygon planeja desenvolver o zkVM como uma nova rede. Portanto, o ecossistema da Polygon engloba diferentes redes e soluções.

No decorrer da explanação, serão abordados os concorrentes da Polygon e detalhes sobre o zkVM, a nova rede que a Polygon está desenvolvendo.

A atualização que a Ethereum vai lançar é chamada de Ethereum 2.0, e ela tem como objetivo principal melhorar a escalabilidade da rede e resolver os problemas de congestionamento e altas taxas de transação. Com o Ethereum 2.0, a Ethereum vai migrar do atual mecanismo de consenso baseado em mineração (Proof of Work) para o Proof of Stake, que é mais eficiente e sustentável em termos de consumo de energia.

Essa atualização é aguardada com grande expectativa, pois irá permitir que a rede da Ethereum processe um número muito maior de transações de forma mais rápida e econômica. Isso é particularmente relevante para soluções de segunda camada, como a Polygon, pois elas serão capazes de se integrar de maneira mais eficiente com a rede principal da Ethereum, aproveitando seus benefícios de segurança e descentralização.

Em resumo, os concorrentes da Polygon, como os roll-ups otimistas (Optimism) e a arbitrum, estão ganhando relevância no mercado de soluções de segunda camada. No entanto, a Polygon ainda mantém uma base de usuários e um valor travado significativos. O desenvolvimento futuro dessas soluções e a adoção orgânica pelo mercado serão fatores importantes para determinar a posição competitiva de cada uma delas. Além disso, a atualização do Ethereum 2.0 trará benefícios para todas as soluções de segunda camada, incluindo a Polygon, melhorando ainda mais a escalabilidade e a eficiência das transações.

Uma das vantagens da Polygon é que ela é um ecossistema completo, com várias soluções e tecnologias em desenvolvimento. Isso permite diversificação e a possibilidade de capturar valor de diferentes maneiras. Enquanto algumas soluções podem ter mais adoção e uso no presente, outras estão em fase de pesquisa e inovação, o que abre espaço para crescimento e potencial de valorização no futuro.

Essa diversificação de projetos e tecnologias também reduz o risco de depender apenas de uma única solução, como é o caso de outras redes de segunda camada, como a Optimism ou a Arbitrum. A Polygon está focada em oferecer opções variadas para os usuários, desde sidechains até roll-ups e, potencialmente, a tecnologia zkEVM no futuro.

É importante lembrar que o valor de um token, como o Matic, não deve ser avaliado apenas pelo preço atual, mas também pelas perspectivas de adoção e desenvolvimento do projeto em que está inserido. A capacidade da Polygon de capturar valor através de seu ecossistema e oferecer soluções diversificadas é um aspecto que atrai muitos investidores e usuários.


A corrida pela tecnologia na indústria cripto é semelhante à corrida espacial, envolvendo grandes investimentos e capital de mercado. Diversos concorrentes disputam para ver quem chegará primeiro no desenvolvimento da tecnologia de segunda camada conhecida como zkEVM. Essa tecnologia visa resolver os problemas existentes nas soluções anteriores, como as Side Chains e os Optimistic Roll-ups.

A Polygon, como competidora nessa corrida, possui algumas vantagens que a destacam dos concorrentes. Primeiramente, a Polygon é uma solução mais estabelecida no mercado, com reconhecimento e adoção significativos. Além disso, a Polygon não se limita a uma única tecnologia, mas é um ecossistema completo, composto por diferentes soluções. Isso permite uma diversificação de abordagens, mitigando o risco de depender exclusivamente de uma única solução.

Outra vantagem da Polygon é a sua capacidade de capturar valor. Com uma variedade de soluções em desenvolvimento e em diferentes estágios de maturidade, a Polygon pode atrair usuários e projetos que se beneficiam de suas diversas opções. A valorização do token Matic, por exemplo, não deve ser analisada apenas pelo seu preço atual, mas também pela perspectiva de adoção e desenvolvimento contínuo do ecossistema Polygon.

É importante ressaltar que cada solução de segunda camada, seja a Polygon, Optimistic Roll-ups ou zkEVM, possui vantagens e desvantagens próprias. A diversidade de opções oferecida pela Polygon e sua abordagem de construir um ecossistema completo fornecem benefícios significativos aos usuários e investidores, tornando-a uma participante importante nessa corrida tecnológica.





terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Crescimento de gotas em nuvens quentes/crescimento por condensação/crescimento por coleção/colisão-coalescência


Crescimento de gotas em nuvens quentes

Em nuvens quentes, as gotas podem crescer por condensação num ambiente supersaturado e por colisão e coalescência com outras gotas de nuvem.

a)Crescimento por condensação

Da equação de Kelvin temos que se a supersaturação é grande o suficiente para ativar uma gota, a gota continuará a crescer. Considere a taxa na qual tal gota cresce por condensação. Considere primeiro uma gota isolada, com raio r num tempo t, num ambiente supersaturado no qual a densidade de vapor d’água numa grande distância da gota é ρv(∞) e a densidade de vapor d’água adjacente à gota é ρv(r).
Assuma que o sistema esteja em equilíbrio, isto é, não há acumulação de vapor d’água no ar ao redor da gota. Então a taxa de aumento na massa da gota no tempo t é igual ao fluxo de vapor d’água através de qualquer superfície esférica de raio R centrado na gota.
Defina o coeficiente de difusão D de vapor d’água no ar como a taxa de fluxo de massa de vapor d’água através de uma área unitária na presença de um gradiente unitário de densidade de vapor d’água. Então a taxa de aumento na massa M da gota é dada por:


onde ρv é a densidade de vapor d’água na distância R(>r) da gota.
Como, sob condições de estado constante, dM/dt é independente de R, a equação pode ser integrada como segue:


Onde ρl é a densidade da água em estado líquido, na última expressão obtemos:





Finalmente, usando a equação dos gases ideais para o vapor d’água





Aqui e(∞) é a pressão de vapor d’água no ar ambiente removido da gota e e(r) é a pressão de vapor adjacente à gota.
Se e não é tão diferente de es, então


Onde S é a supersaturação do ar ambiente (expressa como uma fração ao invés de porcentagem).
Então temos:

É constante para um dado ambiente.
Pode ser percebido que disso, para valores fixos de Gl e a supersaturação S, a taxa de aumento de dr/dt é inversamente proporcional ao raio r da gota.


que pode ser integrado para dar




Assim, o crescimento de gotas por condensação inicialmente aumenta com o raio muito rapidamente mas suas taxas de crescimento diminuem com o tempo (ver figura I).

Figura I. Curvas do crescimento de gotas (a) por condensação da fase de vapor (curva azul) e (b) por coleção de gotas (curva vermelha).

Como a taxa de crescimento de uma gota por condensação é inversamente proporcional ao seu raio, as gotas ativadas mais pequenas crescem mais rápido do que as gotas maiores.
Consequentemente, nesse modelo simplificado, os tamanhos das gotas  na nuvem se tornam uniformemente crescentes com o tempo (isto é, as gotas se aproximam de uma distribuição monodispersa).
Comparações de distribuições de tamanho de gotas de nuvem medidas perto de 100 metros acima da base de nuvens cumulus quentes não precipitando com distribuições de tamanho de gotas calculados assumindo crescimento por condensação em torno de 5 minutos mostraram boa aproximação (ver figura II).




Figura II. Distribuição de tamanhos de gotas de nuvem medidas 244 metros acima da base de uma nuvem cumulus quente (vermelha) e a correspondente distribuição do tamanho de gotas calculado assumindo crescimento por condensação apenas (azul).



Note que as gotas produzidas por condensação durante esse período de tempo somente chegam em torno de 10μm de raio. Além disso, a taxa de aumento no raio de uma gota crescendo por condensação diminui com o tempo. Está claro que o crescimento por condensação sozinho em nuvens quentes é muito lento para produzir gotas de chuva com raios de vários milímetros. No entanto, a chuva se forma em nuvens quentes.
Para uma gota de nuvem de 10μm de raio crescer até uma gota de chuva de 1mm de raio um aumento no volume de um milhão de vezes é necessário. Entretanto, somente em torno de uma gota em um milhão (em torno de 1/litro) numa nuvem tem de crescer por esta quantidade para a nuvem chover.
Os enormes aumentos no tamanho necessários para a nuvem transformar gotas em gotas de chuva é ilustrado pelo diagrama (figura III).

Figura III. Tamanhos relativos de gotas de nuvem e gotas de chuva; r é o raio em micrômetros, n é o número por litro de ar, e v é a velocidade terminal de queda em centímetros por segundo.



(B) Crescimento por Coleção

Em nuvens quentes o crescimento de algumas gotas de tamanhos relativamente pequenos atingidos por condensação para tamanhos de gotas de chuva é atingido pela colisão e coalescência de gotas. Como a velocidade terminal de queda aumenta com o tamanho da gota, gotas maiores têm uma velocidade de queda média maior. Assim elas irão colidir com gotas menores situadas em seus caminhos.

Galileo e a Torre de Pisa

Largando objetos de diferentes massas a partir da inclinação da torre de Pisa, Galileo mostrou que corpos caindo livremente com diferentes massas caem através de uma dada distância no mesmo tempo. Entretanto, isto é verdade somente se a força agindo no corpo devido à gravidade é muito maior do que o arrasto friccional no corpo devido ao ar, e se a densidade do corpo é muito maior do que a densidade do ar.
Considere, o caso mais geral de um corpo de densidade ρ’ e volume V caindo através do ar de densidade ρ.  A força agindo em direção para baixo no corpo devido à gravidade é ρ’Vg. A força de flutuação para cima no corpo, devido à massa de ar deslocada pelo corpo é ρVg (pelo princípio de Arquimedes). Em adição, o ar exerce uma força de arrasto Fdrag no corpo, a qual atua para cima. O corpo irá atingir uma velocidade de queda terminal constante quando estas três forças estiverem em balanço:

ρ’Vg= ρVg+Fdrag

se o corpo é uma esfera de raio r então:


Força de arrasto de Stokes: para esferas com raio ≤ 20μm.



Onde v é a velocidade terminal de queda do corpo e η a viscosidade do ar.
Das equações acima segue:

Se ρ’>>ρ, a qual é para líquidos e objetos sólidos:

A velocidade terminal de queda de 10 e 20μm de de raio de gotas de água no ar em 1013hPa e 20ºC são 0.3 e 1.2cm/s, respectivamente. A velocidade terminal de queda de uma gota d’água com raio 40μm é 4,7cm/s, a qual é em torno 10% menos que dado pela equação acima. Gotas de água de raio 100μm, 1mm e 4mm têm velocidade terminal de queda de 25.6, 403 e 883 cm/s, respectivamente, as quais são muito menores do que dado pela equação acima. Isso porque como a gota aumenta no tamanho ela se torna cada vez mais não esférica e tem uma aumento em sequência. Isto dá origem a uma força de arrasto que é muito maior do que indicado acima.


(C) Colisão e Coalescência


Considere uma única gota de raio r1 que está ultrapassando uma gota menor de raio r2. Como a gota coletora se aproxima da gotícula, essa tenderá a seguir as linhas de corrente ao redor da gota coletora e assim poderá evitar a captura.
A eficiência de colisão E de uma gota de raio r2 com a gota de raio r1 é definida como:

onde y é a distância da linha central para a qual a gota faz uma colisão com a gota maior (ver figura IV).

Figura IV. Movimento relativo de uma gota pequena (azul) com relação à gota coletora (vermelha). y é o parâmetro de impacto máximo para uma gota (raio r2) com uma gota coletora (raio r1).



A seguinte questão é se uma gota é ou não capturada (isto é, se a coalescência ocorre) quando ela colide com uma gota grande.
As gotas podem colidir uma com a outra ou sobre uma superfície plana de água, como ilustrado na figura V.
Isso ocorre quando o ar se torna “preso” entre superfície colidindo, então elas se deformam sem se tocar na verdade. De fato, a gota “rebate num colchão de ar”.

Figura V. Em (a) uma corrente de gotas d’água, em torno 100μm de diâmetro, rebatendo em uma superfície plana de água. Em (b) quando o ângulo entre a corrente de gotas e a superfície da água é aumentada acima de um valor crítico, as gotas coalescem com a água.

A eficiência de coalescência E’ de uma gota de raio r2 com uma gota de raio r1 é definido como a fração de colisões que resultam numa coalescência.
A eficiência de coleção Ec é igual a EE’.
Vamos considerar uma gota coletora de raio r1 que tem uma velocidade teminal v1. Suponhamos que esta gota está caindo no ar ainda através de uma nuvem de gotas de igual tamanho de raio r2 com velocidade terminal v2.
Assumiremo que as gotas estão uniformemente distribuídas no espaço e que elas são coletadas uniformemente à mesma razão por todas gotas coletoras de uma dado tamanho. Isso chama-se modelo de coleção contínua e é ilustrado na figura VI.

Figura VI. Esquema ilustrativo do modelo de coleção contínua para o crscimento de uma gota de nuvem por colisão e coalescência.

A taxa de aumento na massa M da gota grande devido à colisões é dada por:


onde wl é o LWC (em Kg/m3) das gotas de nuvem de raio r2.
Substituindo: 

Onde ρl é a densidade da água líquida, obtemos:

Se v1>>v2 e assumindo que a eficiência de coalescência é unitária, então:

Como v1 e E aumentam ambos conforme r1 aumenta, segue que dr1/dt aumenta com o aumento de r1; isto é, o crescimento de uma gota por coleção é um processo acelerado.

Figura VI. Curvas esquemáticas de crescimento de gotas (a) por condensação da fase de vapor (curva azul) e (b) pela coleção de gotículas (curva vermelha).

Esse comportamento acelerado é ilustrado pela curva vermelha na figura VI, a qual indica crescimento negligenciável por coleção até a gota coletora ter atingido um raio em torno de 20μm.
Pode ser visto da figura que para gotículas pequenas de nuvem o crescimento por condensação é inicialmente dominante mas, após certo raio, o crescimento por coleção domina e rapidamente acelera.
Eventualmente, assim como a gota cresce, v1 se torna maior do que a velocidade de ar ascendente w e a gota começa a cair através do ar ascendente e eventualmente passará através da base da nuvem e pode atingir o chão como gota de chuva.  Fornecido que algumas gotas são grande o suficiente para ser razoavelmente eficientes coletoras (isto é, com raios maiores ou iguais a 20μm), e a nuvem é profundo o suficiente e contém água líquida suficiente, gotas de chuva podem  crescer em períodos de tempos razoáveis (~ 1 hora). É claro, nuvens profundas com fortes correntes de ar ascendentes podem produzir chuva mais rápido do que nuvens rasas com correntes de ar ascendentes fracas. 


RESUMINDO:
O processo de crescimento de gotas em nuvens quentes envolve várias etapas, sendo as principais a condensação, a coalescência e a colisão-coalescência.

Crescimento por Condensação
Nuvens quentes são formadas por ar úmido que é aquecido pela energia solar ou por outras fontes de calor. Quando o ar quente sobe, ele se expande e esfria, atingindo o ponto de saturação. Nesse ponto, o vapor de água presente no ar se condensa em torno de partículas de nucleação (como poeira ou sal) para formar pequenas gotas de água. Essas gotas são chamadas de núcleos de condensação.

Crescimento por Coleção
As gotículas de água formadas pela condensação são inicialmente muito pequenas e leves, incapazes de precipitar como chuva. No entanto, à medida que a nuvem cresce verticalmente, as gotículas entram em contato umas com as outras e se fundem por coleta. Esse processo ocorre especialmente nas regiões onde o movimento ascendente do ar é mais forte, como em correntes ascendentes dentro da nuvem.

Colisão-Coalescência
À medida que as gotas de água continuam a crescer, algumas podem atingir tamanhos maiores e se tornam mais eficientes em coletar outras gotas por colisão. Essas colisões podem ser resultado de movimentos verticais, correntes de ar e turbulências dentro da nuvem. À medida que as gotas maiores colidem e se fundem com as menores, formam gotas ainda maiores, aumentando o tamanho das gotas de chuva.
O crescimento de gotas em nuvens quentes é um processo complexo e contínuo, que envolve a condensação inicial das gotículas, o crescimento por coleta ao se fundirem umas com as outras e, por fim, a colisão-coalescência, onde gotas maiores se formam através da fusão com gotas menores. Esse processo culmina no crescimento das gotas de chuva que eventualmente tornam-se grandes o suficiente para superar as forças de sustentação do ar e caem como precipitação.