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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Questões sobre diagrama Skew-T - com respostas comentadas

01) Analise o diagrama skew-t plotado abaixo:


Em qual nível podemos dizer que há maior umidade relativa?
a) V
b) VI
c)VIII
d) IV
e)I

Resposta: a curva do lado direito representa o perfil de temperatura enquanto a do lado esquerdo a temperatura do ponto de orvalho. Sabemos que quanto mais perto da temperatura do ponto de orvalho estiver a temperatura, mais  úmido será o ar. Assim, no vível VI, o perfil do ponto de orvalho é mais próximo do perfil de temperatura do que em qualquer outro na sondagem.

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02) Nesse mesmo diagrama em qual nível poderíamos esperar MENOS movimento vertical ascendente?

a) na superfície VIII
b) entre III e IV
c) entre VIII e V
d) entre IV e V
e) em V

Resposta: quanto mais positiva a elevação da temperatura (lapse rate) mais estável é a atmosfera. Dentre todas as camadas a inclinação mais positiva é percebida entre as camadas VII e VII. Quanto mais instável é a atmosfera é mais provável que haja movimento vertical.


03) A razão mais provável para ___________ que começa no nível III poderia ser____________.

a) o ponto de orvalho, a termosfera
b) o nível de condensação por levantamento, umidade
c) vorticidade, presença de cisalhamento do vento
d) espessura, lapse rate
e) inversão, camada de ozônio

Inversão é um aumento da temperatura com um aumento da elevação. Isso está bem claro no nível III. O nível III muito provavelmente denota o começo da estratosfera. A camada de ozônio reside na estratosfera e absorve radiação ultravioleta do Sol, assim aquecendo essa camada e criando uma inversão.



04) Que tipo de precipitação, a partir do diagrama skew-t abaixo, poderia estar ocorrendo?

a) chuva
b) neve
c) pelotas de gelo
d) chuva congelada
e) chuva congelada ou pelotas de gelo

Resposta: pelotas de gelo e chuva congelada ocorrem em situações de inversão quando a temperatura à superfície é inferior a 0ºC e a temperatura mais acima é superior de 0ºC. A precipitação começa como neve, cai através de uma camada quente na inversão e derrete virando chuva, então cai de volta em temperaturas sub-congelantes perto da superfície e congela como pelotas de gelo ou chuva congelada. Dependendo do quanto a espessura da camada de ar frio está, a precipitação poderá também congelar no contato (glaze) ou congelar completamente (sleet). Como na figura a camada parece ser relativamente profunda as alternativas c) e d) estão corretas.


05) A pressão em superfície numa cidade é 850mb. A temperatura do ar é 5ºC e a temperatura do ponto de orvalho é -5ºC. Encontre o valor (aproximado) da umidade relativa nessa cidade, usando essas informações.

a) 68%
b) 58%
c) 48%
d) 38%
e) 76%



Nesse corte de skew-t podemos perceber uma linha horizontal vermelha, ela foi traçada para identificarmos o nível de pressão 850mb. A linha vertical traçada (verde) inclinada demonstra as temperaturas, a da direita a temperatura e a da esquerda a temperatura do ponto de orvalho. Dessas duas temperaturas com a intersecção da linha vermelha com as verdes temos dois pontos distintos. Seguindo esses dois pontos distintos (separadamente, um de cada vez) paralelamente às linhas tracejadas inclinadas verdes que representam a razão de mistura saturada encontraremos um valor aproximado para a temperatura de orvalho em torno de 3,0ºC e para a temperatura um valor de 6,2ºC. Assim, dividindo o primeiro valor pelo segundo encontramos a porcentagem de 0,48 ou 48%, aproximadamente.



06) A pressão em superfície numa cidade é 1020mb. A umidade relativa é 60% e a temperatura é 10ºC. Encontre a temperatura do ponto de orvalho com essas informações.

a) -3ºC
b) 0ºC
c) 3ºC
d) 6ºC
e) 0.6ºC

Resposta: pela temperatura podemos encontrar o valor da razão de mistura saturada. Daí pela relação da umidade relativa, que é o quociente entre a razão de mistura e a razão de mistura saturada, podemos usar os valores dados para se obter o valor da razão de mistura. Após sabermos o valor da razão de mistura podemos ver o valor da temperatura do ponto de orvalho.
Da figura abaixo podemos ver uma linha vermelha em 1020 mb, representando a isóbara. A linha inclinada verde representa a linha traçada paralelamente à linha de razão de mistura saturada (perceba que ela foi traçada até certo ponto apenas para melhor enxergar o valor) cujo valor aproximada é 7.2. Esse valor é o valor de rs e agora podemos usar na equação:


Agora com esse valor encontrado foi traçada uma reta (reta verde clara) até o nível de 1020mb, paralela à razão de mistura saturada, encontrando a isoterma em 1020mb com valor aproximado de 3ºC.



07) Suponha que a pressão em superfície seja 1000mb e a temperatura 35ºC com uma temperatura de ponto de orvalho de 22ºC. Encontre o nível de condensação por levantamento, aproximadamente.
a) 680 mb
b) 750 mb
c) 780 mb
d) 830 mb
e) 380 mb

Resposta: primeiro traçou-se uma reta vermelha paralela às isóbaras para representar o nível de pressão dado 1000mb. A partir da temperatura do ponto de orvalho em 1000mb foi traçada uma reta (para cima) azul paralela à razão de mistura saturada, até certo ponto apenas para melhor visão do diagrama. Em seguida foi traçada uma curva laranja partindo da temperatura 35ºC e paralela à adiabática seca, até certo ponto. Assim há um ponto de intersecção entre essas curvas. Tal ponto representa o Nível de Condensação por Levantamento (NCL), cujo valor é aproximadamente 830mb, perceba na reta roxa paralela às isóbaras, que passa por tal ponto.



08) O nível de condensação por levantamento está localizado em 850mb e a temperatura em superfície é 27ºC onde a pressão é 1000mb. Encontre o ponto de orvalho na superfície.

a) 16ºC
b) 20ºC
c) 22ºC
d) 24ºC
e) 26ºC

Resposta: primeiro foi traçado uma reta (vermelha) em 1000mb, representando a pressão em superfície conforme dado na questão. Após com o dado de temperatura de 27ºC foi traçada uma curva de cor azul paralela à adiabática saturada, até certo ponto. Em 850mb foi traçada uma reta roxa representando o nível de condensação por levantamento. Assim percebemos um ponto de intersecção entre a curva azul e a reta roxa onde podemos traçar uma reta paralela à razão de mistura saturada para verificarmos o valor da temperatura do ponto de orvalho que em superfície foi de 16ºC.




09) Qual a diferença entre NCL (nível de condensação por levantamento) e NCC (nível de condensação convectiva)?

A primeira diferença a se perceber é com a temperatura em superfície. O nível de condensação por levantamento NCL ocorre quando o levantamento forçado ocorre. Uma parcela em superfície com sua temperatura e seu ponto de orvalho são forçados em relação à vertical por um mecanismo de disparo tal como uma frente, máxima vorticidade, convexidade da linha seca (a linha curvada que separa ar seco/frio e ar úmido/quente),  limite de convergência, montanhas, e assim por diante. Esse ar (originalmente na superfície ou na camada limite planetária) quando sobe se resfria ao longo da lapse rate adiabática seca até a temperatura se igualar ao ponto de orvalho. Nesse ponto onde as temperaturas de igualam é o NCL, acima disso o ar se torna saturado, ou seja, quando a parcela de ar se torna saturada p NCL é atingido.

Já o Nível de Condensação Convectiva NCC não é encontrado por levantamento forçado, mas sim por um aquecimento da superfície terrestre. O ar não sobe até que a temperatura em superfície se aqueça e atinja um calor crítico com esse processo. O NCC é geralmente maior do que o NCL, pois o ar deve primeiro aquecer e depois sim subir até o NCC (lembrando que o aquecimento do ar causa decréscimo da umidade relativa e aumento entre a diferença entre temperatura e ponto de orvalho (entre o nível de pressão à superfície e um nível acima). O NCC será mais alto do que o NCL. O NCL e o NCC são encontrados pelo mesmo processo exceto a partir do NCC que a temperatura em superfície deve primeiro subir até um valor crítico (chamado temperatura convectiva) e depois uma parcela da superfície irá começar a ascender na vertical devido à flutuação positiva. Encontrar o NCC é o mesmo processo de encontrar o NCL quando o ar se aqueceu até a temperatura crítica convectiva. 



10) 


Encontre a razão de mistura e a razão de mistura saturada em cada nível de pressão dado na tabela acima.

Solução:




11) Por que a laspe rate adiabática úmida não é uma constante?

A lapse rate adiabática úmida é também chamada lapse rate adiabática saturada ou úmida. É a trajetória da temperatura de uma parcela de ar saturado. A lapse rate adiabática seca é uma constante em torno de 9.8ºC/Km, entretanto, a lapse rate adiabática úmida é muito menor de uma constante. A lapse rate adiabática úmida varia de em torno 4ºC/km até próximo de 9.8ºC/km. A inclinação da adiabática úmida depende do conteúdo de umidade do ar. Quanto mais umidade (vapor d’água) contida no ar mais calor latente pode ser liberado conforme a condensação vai acontecendo (a liberação de calor latente aquece a parcela enquanto a absorção de calor latente resfria a parcela). Qualquer aquecimento por liberação de calor latente compensa parcialmente o resfriamento de ar ascendente. 

No skew-t podemos perceber que as adiabáticas seca e úmida se tornam quase paralelas na troposfera superior. Isso é devido às temperaturas mais frias em níveis mais altos (ar frio não tem muito vapor d’água e então não libera muito calor latente). A inclinação da adiabática úmida é 4-5ºC/km em ar quente e úmido (a ascendência desse ar saturado libera uma grande quantidade de calor latente). Ar quente e úmido na camada limite planetária contribui para a instabilidade atmosférica. Estas parcelas quentes e úmidas, como se resfriam vagarosamente com a altura, têm uma boa chance de permanecerem mais quentes do que o ar ambiente e assim continuarão a subir. Na verdade, advecção de ar quente na camada limite planetária e advecção de umidade são o número 1 das contribuições para fazer a troposfera termodinamicamente instável (alto CAPE, LI negativo, etc).



Interpretando o diagrama Skew-T


Interpretando o diagrama Skew-T 
Algumas dicas

Lapse rate

Lapse rate nada mais é do que a taxa na qual a temperatura está mudando com a elevação (altitude). A intensidade da lapse rate determina o tipo de forças flutuantes que uma parcela de ar estará sujeita para um deslocamento ascendente.

Estabilidade X Instabilidade

Tão rápido quanto seja a queda de temperatura conforme subimos a atmosfera determina a estabilidade atmosférica. Se a atmosfera está estável, então a parcela de ar deslocada verticalmente irá retornar ao seu nível original. Entretanto, se a atmosfera está instável, uma parcela de ar deslocada verticalmente continuará acelerada.
Para entender melhor isso, podemos fazer o uso da Lei dos Gases Ideais. A Lei dos Gases Ideais define o quanto a pressão, temperatura e densidade de um gás estão relacionados. Quando estamos determinando se a atmosfera é estável ou instável estamos na verdade concentrados com o quanto a densidade está mudando com a altitude (elevação), mas o quanto a densidade muda com a altitude (elevação) é governada por quanto a temperatura está mudando com a altitude (elevação).
Se resolvermos a lei dos gases ideais para a densidade veremos que a densidade será o quociente entre a pressão e o produto entre a constante dos gases ideias e a temperatura. Assim essa razão define densidade. Quando nos movemos para cima na atmosfera, sabemos que a pressão SEMPRE diminuirá. Isso agirá de forma a diminuir a razão entre a pressão e o produto entre a constante dos gases ideais e a temperatura, assim diminuindo a densidade.

A taxa na qual a pressão diminui com a  altura pode ser considerada na maioria das vezes como constante. Logo conforme nos movemos para cima na atmosfera o termo da pressão na razão diminuirá, assim diminuindo a densidade (repare na equação).
Conforme subimos na atmosfera a temperatura diminui. Como a temperatura diminui, na equação podemos verificar que a razão entre P, R e T aumentará, assim aumentando a densidade. Então se a taxa na qual a temperatura está diminuindo é maior do que a taxa na qual a pressão está diminuindo conforme nos movemos para cima na atmosfera, a densidade tenderá a aumentar conforme nos movemos para cima. Isso poderia então ser uma condição de instabilidade. Poderíamos ter ar mais denso no topo de ar menos denso. Sabemos que quanto mais denso o fluido é mais afundará, então em condições de instabilidade, poderíamos esperar movimento vertical.
PORÉM, se o termo de Pressão está diminuindo mais rápido do que o termo de Temperatura, então a densidade tenderia a diminuir com a elevação e a atmosfera seria estável. Assim não esperaríamos movimento vertical significante nesse cenário. 

Lapse Rate Adiabática Seca

Se a taxa na qual a temperatura está diminuindo com a altitude e a taxa na qual a pressão está diminuindo com a altitude é tal que a densidade não está mudando significantemente com a altitude, a atmosfera é considerada NEUTRA. A lapse rate que poderia conduzir a essa condição é chamada Lapse Rate Adiabática Seca. O valor da Lapse Rate Adiabática Seca é 9.8ºC/km. Se não estamos considerando ar seco, o valor da lapse rate adiabática é diferente, pois como o ar úmido sobe, há condensação a qual é um processo de liberação de calor.
Se um meteorologista pode prever e determinar a lapse rate, pode então ter uma melhor ideia de qual tipo de condições de estabilidade pode ser esperado. Sabendo as condições de estabilidade pode-se oferecer uma melhor ideia de que tipo de movimento vertical será esperado. Sabendo o grau de movimento vertical pode-se oferecer melhores dicas quando se prevê desenvolvimento de nuvens e precipitação. O grande valor do conhecimento das condições de estabilidade atmosférica é usar essa informação para prever o movimento vertical.




Derivadas Total e Parcial



Derivadas Total e Parcial

A mudança total de qualquer variável dependente (quantidade meteorológica) é a soma das mudanças com relação a cada variável independente (no tempo e espaço), de acordo com a regra da cadeia. Se a temperatura, T, é uma função de x, y, z e t, a mudança total de temperatura, dT, é:


Dividindo pela mudança no tempo, dt:




Como

Temos



Para ficar claro que as componentes do vento são multiplicadas pelas derivadas parciais e não são diferenciadas, basta escrever as componentes do vento primeiro:


Enquanto a equação (A) foi derivada para a temperatura, é possível usá-la para expandir a derivada total de qualquer variável dependente, apenas substiuindo a variável T pela outra variável em questão.
Se a variável dependente não é uma função da altura, z, mas pressão, p, então usamos o operador diferencial:
ao invés de
O símbolo “d” usualmente aparece na derivada total, enquanto o símbolo “∂” usualmente aparece na derivada parcial. Claramente, as derivadas total e parcial com relação ao tempo são diferentes; uma é igual à outra mais três termos adicionais. Aqueles três termos são chamados termos advectivos, pois não são exatamente igual à advecção.
A derivada parcial com relação ao tempo é chamada de tendência, e representa a mudança de uma variável dependente com o tempo num local fixo. Um exemplo simples é a tendência de pressão em superfície a cada 3 horas numa estação meteorológica.
A derivada com relação ao tempo é chamada de derivada total e representa a mudança de uma variável dependente com o tempo seguindo o movimento de massa, tal como uma parcela de ar. Um exemplo é a velocidade do vento, a qual é a mudança da posição com o tempo de uma parcela de ar se movendo.
Para ver quais processos podem mudar a temperatura em superfície numa estação meteorológica, resolvemos a equação (A) para a tendência de temperatura:


Os primeiros dois termos no lado direito são de advecção horizontal de temperatura. o terceiro termo no lado direito é a advecção vertical de temperatura. A soma desses três termos dá a advecção total de temperatura.
O quarto termo no lado direito é a mudança de temperatura devido a todo os outros processos que afetam o movimento da parcela; dois exemplos são a radiação e o resfriamento adiabático devido à expansão.  Para verificar isso, dividimos a Primeira Lei da Termodinâmica por “dt”:

Resolvendo para a mudança total de temperatura com o tempo:

Então temos:

Assim, o movimento vertical contribui para a mudança de temperatura através de dois processos: terceiro termo – advecção vertical, e quarto termo – compressão adiabática. O quarto termo é usualmente maior (em valor absoluto) do que o terceiro termo, assim como a “lapse rate” é usualmente menor do que a taxa do processo adiabático seco. E, a subsidência tenderá a produzir aquecimento.